Conheça os benefícios dos animais de estimação para a saúde mental de idosos

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Não há dúvidas que a presença de um companheiro de quatro patas proporciona maior conforto, bem-estar e diversão para os nossos dias. Quem já se viu em situações de grande desânimo e foi afagado por um companheiro peludo, sabe que o alívio gerado nesses momentos é resultado dessa relação.

Cada vez mais especialistas vem difundindo e comprovando a eficácia em se ter um animal por perto. Especialmente pela contribuição na redução do estresse e alívio nos sintomas da depressão, assim afirma a psicóloga Ana Karolyne Felix.

“A convivência com animais pode trazer inúmeros benefícios para pessoas que estão com alguma enfermidade, uma vez que a sua presença contribui para que o indivíduo se mantenha ativo, devido aos cuidados que um animal necessita para sobreviver. Além disso, eles colaboram para a elevação do nosso nível de serotonina, conhecido como o hormônio da felicidade”. Aconselha a profissional, que atua em João Pessoa, Paraíba.

A médica veterinária Aline Irís Chiari acrescenta que a presença de animais melhora em todos os aspectos nossas questões psicossociais, ou seja, o aumento na qualidade de vida. Segundo a profissional, “é possível observar a redução de comportamentos negativos, como medo, estresse, agressividade e acréscimo em níveis de felicidade e amor”.

Companheiros dos idosos

De acordo com o Ministério da Saúde, os idosos representam 14,3% da população, correspondendo a 29,3 milhões de brasileiros. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 4 milhões de idosos vivem sozinhos no Brasil.

Nessa fase da vida, é comum que os ciclos sociais tenham diminuído. Portanto, muitos podem estar sofrendo com a solidão do abandono familiar, “ter um animal nessa etapa ajuda a melhorar esses níveis de carência por afeto, contribui na memória e os ajuda a manter uma rotina ativa através das responsabilidades a cumprir com o animal, como alimentação, passeio e saúde do pet”. Assegura Aline, que ampara animais em uma clínica privada na cidade de Presidente Prudente, São Paulo.

Uma pesquisa publicada pelo National Center for Biotechnology Information mostrou que várias investigações delinearam melhorias na saúde física e mental de pessoas idosas que convivem na presença de animais. O estudo também registrou que dois terços dos entrevistados consideram seus companheiros como “seus melhores amigos” e “a razão pela qual se levantam de manhã”.

Conforme a publicação, os animais podem proporcionar benefícios à saúde mental das pessoas idosas, ocasionando no alívio do isolamento social e tédio. Além disso, outras pesquisas pelo National Center sobre o efeito dos animais de estimação na saúde física, sugerem que os animais podem baixar a pressão arterial, considerando as caminhadas realizadas pelos tutores de cães e demais brincadeiras que devem ser realizadas para garantir o bem-estar do animal.

Conforto emocional em meio a pandemia

Segundo a profissional de saúde Ana Karolyne Felix, a população se sente cada vez mais fragilizada e solitária devido ao isolamento social que ocorre para conter o avanço do coronavírus, e impacta especialmente a população idosa.

“Eles se encontram em uma situação muito delicada por estarem inseridos num grupo de risco. A quarentena pode ser muito mais difícil para eles, por dois motivos: o medo constante em contrair a doença e o isolamento social, que pode deixá-los deprimidos, uma vez que não haverá contato presencial com amigos próximos e familiares”.

A psicóloga esclarece que a solução para a diminuição do medo e perda de autonomia, pode ser sanada com a presença de um pet. “Trocas afetivas são extremamente importantes para qualquer pessoa, mas principalmente para os idosos. Estamos vivendo uma situação imprevisível onde os contatos acontecem de forma virtual, por isso a presença de um pet pode ser muito reconfortante para o sentimento constante de solidão”.

Desafios e responsabilidades

Embora a adoção de pets seja disseminada como uma boa prática por diversos profissionais do ramo da psicologia por promover o bem-estar físico e emocional da população idosa, Ana adverte que “é preciso simpatizar e ter afinidade com a ideia de ter um animal, existem pessoas que não gostam ou que possam não estar abertas a essa ideia. Isso precisa ser analisado com cautela, pois sabemos que é alto o número de abandono animal nos dias de hoje”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 30 milhões de animais são abandonados no Brasil, entre eles cães e gatos. Essa questão é muitas vezes resultado da negligência humana. Por isso, a importância de uma base estrutural formada por um ambiente espaçoso, condição financeira e amor, são pré-requisitos indicados pela veterinária Aline Íris Chiari, para precaver o abandono e assegurar maior qualidade de vida, tanto para o dono quanto ao seu companheiro peludo.

“O animal precisa de uma rede apoio nos sentidos financeiro e emocional, é preciso comprometimento para proporcionar uma alimentação adequada e medicina preventiva. Muitos pets idosos são abandonados, porque muitas vezes a pessoa não tem condições de bancar seus medicamentos. Os animais são ‘crianças’ pelo resto da vida e precisam de atenção e cuidados durante toda a sua existência”, adverte a profissional.

A educação ambiental vem ganhando força, mas ainda é novidade para muitos. Antes de realizar a adoção, seja pelo recolhimento de um animal em situação de rua causado pelo abandono ou através de Organizações Não Governamentais (ONGs) que promovem eventos de adoção responsável, é preciso realizar uma pesquisa prévia e apurada para conhecer bem as características do futuro companheiro.

Aline esclarece que a “educação ambiental é entender o que determinado pet faz, o que ele come e como se expressa. Cães tendem a apresentar características de dominância, já os gatos apresentam comportamentos de caça. Também é importante comprar brinquedos específicos para fazer o enriquecimento ambiental do seu companheiro, a fim de tornar seus dias mais agradáveis”, aconselha a médica veterinária.

 

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