Nós temos uma aliança sim, não duas.

As estatísticas mostram que no mundo de hoje, moderninho como todos sabem, são tão comuns as separações, inclusive de casamentos com menos de um ano, que, quando alguém diz que está há anos com a mesma pessoa soa até anormal. Mas, este não é ponto exato que pretendo abordar e sim o do compromisso entre duas pessoas, de uma maneira informal.

Não porque já passei pela fase do papel e não deu certo. Mas porque também já tentei sem papel e não funcionou. Bom, independente das situações e tipo de relacionamento, hoje penso da seguinte forma: devemos sim, ter uma aliança e não duas nos dedos como manda a tradição. Acredito que, o que vale realmente é a aliança firmada no coração, no fundo do peito, na cabeça aberta, na vontade de querer estar sempre junto, na vontade de fazer a relação funcionar e ir acertando, aparando as arestas pelo meio do caminho. Acredito que não adianta querer ter essa neura de firmar oficialmente um compromisso de papel passado e argola no dedo, claro, isso pode ser feito depois de um tempo, mais até por outras questões que preservem a família. Mas, simplesmente ter as alianças no dedo é como ter filhos imaginando que isso segura uma relação. Pura besteira.

O que realmente faz dar certo é esse jeito de ser mais livre, de deixar a outra pessoa livre, sabendo que pode contar com o parceiro a hora que quiser. Confiar com liberdade. É da nossa cabeça que as coisas se criam, então, por que não deixar fluir um pensamento leve, atoa, harmonioso de nossos parceiros, sem pressão, sem cobranças e sem medo de ser feliz. Apenas deixar que a vida nos leve ao destino que nos reserva, quando realmente estamos amando. O amor deve ser leve como uma folha de outono caindo ao chão, quase imperceptível. Deve ser emoção o tempo inteiro e nunca razão. Deve ser nosso porto seguro e não um tesouro escondido. Amar sempre sem esperar nada em troca. Se doar sempre sem querer recompensa. Amar apenas, com os olhos da alma, eterno e profundo, quem sabe pode ir muito mais longe do que a expectativa que se cria da maneira formal.

Um relacionamento deve ter toda a informalidade do mundo, para depois sim, ir se moldando ao formato tradicional e não o inverso. No amor não tem burocracia, então por que uma aliança para sacramentar a união? Para que todas as bênçãos do mundo? O casal já não faz uma jura de amor? Então, isso deveria ser baseado na relação de afeto, respeito e cumplicidade. Somente o casal deve saber qual a melhor opção para selar esse amor que nasceu de alguma forma romântica, harmoniosa. Somente ele e ela devem olhar para o futuro dessa paixão e criar suas próprias regras. As regras do amor que cada casal estabelece para si, para seu dia a dia. Jamais, será um papel ou uma aliança no dedo que vai garantir a felicidade de um casal. As suas escolhas sim, o respeito de um pelo outro, a privacidade de cada um em seus momentos individuais, a cumplicidade do casal em relação ao mundo, às outras pessoas. O olhar que se tornou sinal de concordância ou não entre eles, enfim, cada gesto, cada troca de afeto, cada abraço, cada beijo e todos os sorrisos que eles conseguirem alimentar, pode apostar, vai valer muito mais do que uma aliança de metal nos dedos. O amor vai muito além das simbologias, pois depende muito mais das atitudes de quem aposta nele.

Mario Vicente

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